A política monetária e a política fiscal são, em teoria, instrumentos complementares. Na prática brasileira, elas frequentemente entram em conflito — e esse conflito tem custo real para empresas, famílias e para o crescimento econômico.
Quando o governo gasta mais do que arrecada, precisa se financiar emitindo dívida. Mais dívida pública significa mais títulos no mercado. Para que esses títulos sejam absorvidos, o governo precisa oferecer taxas de juros atrativas.
É o que os economistas chamam de "dominância fiscal" — quando a política fiscal contamina a política monetária. O Brasil viveu episódios graves disso nos anos 1980 e 1990.
Para o investidor, isso significa que a política fiscal é tão importante quanto a política monetária para entender o comportamento dos juros. Acompanhar o resultado primário e a trajetória da dívida é essencial para quem investe em renda fixa de prazo mais longo.